A taxa de câmbio doméstica encerrou o mês de outubro com uma valorização de 0,65%, apesar do contexto de “guerra cambial”, como apontado pelo ministro Guido Mantega (Fazenda). A variação mensal da moeda americana foi a mais intensa desde maio, quando a taxa acumulou alta de 4,87%.
Durante todo período, a perspectiva de uma “enxurrada” de dólares nos EUA, para estimular a economia, e a disposição do governo em conter a desvalorização cambial, influenciaram o rumo dos negócios.
Ontem, o dólar voltou a oscilar abaixo de R$ 1,70, batendo R$ 1,71 na cotação máxima do dia, para finalizar o expediente na cotação de R$ 1,703 -um decréscimo de 0,64% sobre o fechamento de quinta-feira.
Já o dólar turismo foi cotado por R$ 1,830 para venda e por R$ 1,650 para compra, nas casas de câmbio paulistas.
O Federal Reserve, o banco central dos EUA, reúne seus diretores na próxima quarta-feira para atualizar a política monetária local. A autoridade econômica deve anunciar no dia uma nova rodada de estímulos à economia (o chamado “quantitative easing”), o que tende a inundar o mercado mundial com moeda, pressionando as cotações do dólar.
Em paralelo, os agentes financeiros também aguardam quais as próximas medidas do governo para conter a queda livre das taxas, considerando o impacto sobre a competitividade das exportações brasileiras.
“A tendência mundial do dólar continua a ser de baixa, apesar do fator de que o ‘Fed’ sinalizou que vai irrigar o mercado com menos dólares do que sinalizado anteriormente. E por aqui, o problema é que a oferta de dólar continua maior do que a demanda”, sintetiza Mário Paiva, analista da corretora BGC Liquidez.
Paiva acrescentou ainda que “essas medidas que o governo tomou, além das compras diárias do Banco Central, são medidas paliativas, que somente diminuíram a intensidade da queda”.
Para uma parcela dos analistas, o governo já mostrou disposição para “brigar”, com indicações que tomaria medidas adicionais para sustentar as taxas pelo menos em torno de R$ 1,70.
Por esse motivo, alguns profissionais acreditam que essa taxa poderia se tornar novamente um “piso” para o mercado.
Essa convicção, no entanto, carece de unanimidade na praça financeira: outros avaliam que os preços da moeda ainda vão oscilar num patamar abaixo desse valor.
Juros futuros
No mercado futuro de juros, que serve de referência para o custo dos empréstimos nos bancos, as taxas projetadas retrocederam nos contratos mais negociados.
No contrato para janeiro de 2011, a taxa projetada permaneceu no patamar de 10,65% ao ano; para janeiro de 2012, a taxa prevista caiu de 11,37% para 11,35%. E no contrato para janeiro de 2013, a taxa projetada cedeu de 11,83% para 11,71%. Esses números são preliminares e estão sujeitos a ajustes (da Folhapress).
E-Mais
A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) “patinou” durante a maior parte do pregão de ontem, acelerando o ritmo de ganhos somente nos últimos minutos do último pregão deste mês.
O Ibovespa, principal índice de ações da Bolsa paulista, valorizou 0,50% no fechamento, aos 70.673 pontos. O giro financeiro foi de R$ 7,4 bilhões. Nos EUA, o índice Dow Jones, da Bolsa de Nova York, teve uma modesta alta de 0,4%.
O órgão de estatísticas do governo americano apontou um crescimento de 2% para o Produto Interno Bruto (PIB) no terceiro trimestre, comparado com o trimestre anterior.
Uma parcela dos economistas do setor financeiro projetava número mais alto, entre 2,1% e 2,2%. Trata-se de uma avaliação preliminar do produto nacional, que vai ser revisto e novamente divulgado no dia 23 de novembro.
Ainda no front externo, o escritório europeu de estatísticas Eurostat revelou que a taxa de desemprego entre os países da zona do euro atingiu 10,1% em setembro, ante 10% em agosto. O número veio em linha com as expectativas do mercado.
A siderúrgica CSN anunciou um lucro líquido de R$ 720 milhões para o terceiro trimestre deste ano, o que representa uma redução de 37% sobre o resultados de um ano antes.
Analistas do setor esperavam um número bem maior, em torno de R$ 1,10 bilhão. A ação ordinária desvalorizou 0,45% neste pregão.
Fonte O povo
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